segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Gripe Suína: sim, a escola pode parar.

Voltando hoje das famigeradas “férias suínas”, sinto um aperto no peito, a impressão de que poderia ter aproveitado melhor meu tempo livre, que aquela atividade que demandava mais tempo para ser preparada ainda não saiu do papel. Não quis corrigir aquelas tarefas atrasadas do semestre passado, até porque os donos delas já nem mais se lembravam. Tive aquela porção de idéias revolucionárias que nos dá na cabeça quando voltamos de férias e que demoram a sair de lá.
Ia para cima e para baixo tentando passar a limpo minhas listas de presença, o que um colega professor logo me disse ser inútil, porque todas as datas precisariam ser alteradas por causa do recesso suíno. Tive a tentação de juntar-me ao grupo jogando cartas na sala dos professores, talvez aquilo fosse uma oportunidade de ouro para um maior entrosamento com meus pares, mas a culpa não me deixou gastar meu tempo dessa forma. Havia muita coisa que poderia ficar muito melhor na minha prática se aproveitasse esse tempo extra cuidando e refletindo um pouco sobre ela.
Quantos professores, coordenadores, diretores de escola não passaram pela mesma experiência? Alguns deles ainda estão passando por essas férias estendidas, e aproveitam como podem. Não foi difícil fazer com que a grande maioria das escolas públicas, particulares, cursos de idiomas, cursos em geral parassem suas aulas até o final do prazo, mesmo com todo o dano causado ao planejamento do semestre, das férias dos alunos, das provas finais... A mobilização contra a gripe suína foi de forma surpreendentemente cooperativa, obsequiosa por parte das escolas. Curiosamente, igrejas, cinemas, academias, restaurantes, teatros, boates não tiveram o mesmo ímpeto de interromper suas atividades. Todos continuam funcionando a todo o vapor, principalmente por causa da grande clientela ociosa por esses dias.
Sim, eu chamo atenção aqui para o papel da escola na vida das pessoas e da comunidade. Papel esse que poderia tornar mais difícil o fechamento das escolas, tanto quanto o dos outros focos de aglomeração pública, tão indispensavelmente abertos, tão diferentes da escola.

Kleber Garcia

Um comentário:

Dri disse...

"Parece que quando pensam na disseminação de uma doença não pensam na disseminação de conhecimento e como a escola poderia ajudar na prevenção. Afinal, escola para quê? Se podemos ir aos shoppings, aos clubes e tantos outros lugares para agradecer o recesso prolongado!!! Adriana